segunda-feira, 20 de junho de 2011

Vereadora representa o Legislativo Municipal em evento que homenageou preso político.

Vereadora Fátima discursando

Fátima Salume esteve no memorial em São Paulo, que retrata os dramas vivenciados pelo mineiro de Campo Belo, na época da Ditadura Militar.
Por: Kelly Cristina
A vereadora Fátima Salume Mati/PT participou de um evento indescritível. Ela representou a Câmara Municipal de Campo Belo em São Paulo, no memorial onde a família de Eduardo Leite (Bacuri), teve o reconhecimento da nacional pela causa que sempre defendeu: um país democrático. O militante enfrentou a “Era de Chumbo” e pagou com a própria vida, a liberdade de expressão, que hoje, a imprensa e o cidadão brasileiro, podem desfrutar.
A história de “Bacuri” se tornou pública e pode ser conhecida em detalhes com a leitura da biografia. “Eduardo Leite Bacuri”, de autoria da jornalista Vanessa Gonçalves, que foi lançada oficialmente no último sábado (18), pela Plena Editorial. O livro “Luz” retrata a intensa vida do mineiro de Campo Belo, de origem simples que desapareceu nos porões do regime militar aos 25 anos de idade. O caso foi considerado a mais longa tortura militar. Foram 109 dias de sofrimento, antes da sua execução. Segundo um soldado, ele faleceu em 08 de dezembro de 1970.
Denise esposa do Bacuri
Fatima e Familiares do Ex-militante
De acordo com informações, a jornalista entrevistou a esposa de Bacuri, Denise Peres Crespim, que vivenciou os horrores da ditadura na pele. Além dela, a autora ouviu 40 ex-militantes que a ajudaram a construir a trajetória de um dos personagens mais instigantes dos anos de chumbo. Bacuri participou dos sequestros do cônsul japonês Nobuo Okushi e do embaixador alemão Ehrenfried Von Holleben, que imediatamente o colocaram no topo da lista dos inimigos da repressão.
Para a vereadora Fátima, que discursou para uma imensa plateia, o lançamento da obra literária é um justo reconhecimento a quem teve a coragem de lutar. “Ele é exemplo. Se hoje temos um país Democrático de Direito é porque alguém teve a coragem de lutar por um mundo mais justo”, interpretou a vereadora.
Conheça detalhes da Prisão de “Bacuri” e os momentos trágicos vivenciados pela esposa, e retratados na Obra de Vanessa Gonçalves.
Cercada por quatro policiais, de olhos vendados, foi empurrada para dentro de um automóvel. Poucos minutos depois, o carro parou. Puxada com força para fora, Denise ouviu um portão abrindo, entrou na casa, passou por uma porta e subiu a escada. Em seguida, os algozes giraram seu corpo várias vezes e só depois retiraram a venda. “Você sabe quem sou?”, perguntou o homem postado diante dela. Denise respondeu que não. “Sou o famoso Fleury”, respondeu o delegado Sérgio Paranhos Fleury, torturador obstinado e com um histórico de morte de prisioneiros sob seus ombros. Ele então apontou uma porta e deu uma ordem: “Seu marido está naquela sala”, disse. “Entra lá porque ele se recusa a comer e falar antes de te ver. Você tem um minuto.” Denise viu o marido, o militante de esquerda Eduardo Leite, conhecido como Bacuri, sentado atrás de uma escrivaninha e com as mãos algemadas em cima da mesa. As lágrimas vieram de imediato. Bacuri tinha hematomas e queimaduras por toda a pele. Tocaram-se as mãos e, quando Denise se levantou para que ele sentisse o bebê na barriga, Fleury entrou: “O minuto acabou”, disse o delegado. Arrancada da sala, Denise pressentiu que aquela seria a última vez que veria o marido, prisioneiro que permaneceu mais tempo sob tortura ininterrupta da ditadura militar – foram intermináveis 109 dias de sofrimento antes de sua execução. O encontro de Denise e Bacuri foi registrado em agosto de 1970.
No Dops, Bacuri passou por uma experiência incomum – e macabra – mesmo para os padrões da ditadura. Ali, depois de massacrado fisicamente, ele leu sua sentença de morte. No sábado, 26 de outubro, os jornais noticiaram a morte de Joaquim Câmara Ferreira, militante da Ação Libertadora Nacional, e afirmaram que Bacuri havia sido levado da prisão para fazer o reconhecimento do corpo. Nessa operação, segundo as publicações da época, Bacuri tinha conseguido fugir e desapareceu. Ao ver a notícia impressa nos jornais, ele teve a certeza de que jamais sairia vivo da prisão – era o álibi que os militares precisavam para assegurar que Bacuri não estava sob jugo da ditadura e, sim, foragido. A triste ironia da história é que ele sequer andava. Graças à violência dos policiais, apenas quatro dias depois de ser preso o militante perderia para sempre o movimento das pernas. Sua morte foi lenta. Segundo relato de um soldado, Bacuri foi executado no dia 8 de dezembro de 1970

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